No ano passado, o grupo comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira repassou R$ 600 mil a uma empresa de Jayme Rincón, tesoureiro da campanha do governador Marconi Perillo (PSDB) em 2010 e presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop). Os pagamentos à Rental Frota Distribuição e Logística foram divididos em três parcelas de R$ 200 mil e depositados em 29 de julho, 1º e 2 de agosto. As informações foram publicadas no jornal O Estado de S. Paulo.
Rincón, que detém 33 de suas cotas, embora esteja formalmente afastado da empresa desde janeiro de 2011, diz desconhecer o repasse. A Rental confirma os pagamentos, mas informa que se referiam à venda de 28 veículos usados, no valor de R$ 600 mil, ao braço direito de Cachoeira, o ex-vereador tucano Wladimir Garcez. A empresa nega que o valor tenha sido repassado diretamente a Rincón. Nesta terça-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira ouvirá o governador Marconi Perillo, cujo nome aparece em várias escutas telefônicas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que investiga os negócios do contraventor e suas ligações com agentes públicos.
Carlinhos Cachoeira
Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.
Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.
Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.
Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.
O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.
Jornal do Brasil
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