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Lava Jato já teve 49 delações premiadas; 6 foram aceitas pelo STF

16/03/2016

O senador Delcídio do Amaral
Pedro Ladeira/Folhapress
Nesta terça-feira (15), Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), ex-líder do governo no Senado, teve o acordo de delação premiada homologado pelo ministro Teori Zavascki, do STF (Supremo Tribunal Federal). De acordo com a assessoria do MPF (Ministério Público Federal), o acordo de Delcídio é o sexto no âmbito da Operação Lava Jato a ser aceito pelo Supremo, que investiga e julga réus com foro privilegiado ou que tiveram esta prerrogativa até 2014.

Na Justiça Federal do Paraná, que julga os outros réus da Lava Jato em primeira instância, já foram feitos 49 acordos de delação premiada. Desses, 40 são públicos e nove estão sob sigilo. Os nomes do doleiro Carlos Alexandre Rocha (Ceará) e de Delcídio não constam na lista de acordos públicos enviados pela Procuradoria da República do Estado ao UOL

Delações da Lava Jato homologadas

Luis Macedo/Câmara dos Deputados 

Paulo Roberto Costa - ex-diretor da Petrobras

O primeiro acordo de delação premiada da Lava Jato foi fechado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Ele fez o acerto com a Justiça do Paraná em agosto de 2014. Indicado pelo PP à diretoria da empresa, Costa acabou citando políticos do partido. Isso fez com que o STF homologasse a delação em setembro de 2014. Ao todo, foram 80 depoimentos e 22 declarações com acusações.

Ueslei Marcelino/Reuters

Alberto Youssef - doleiro 

Em setembro de 2014, o doleiro Alberto Youssef fechou o acordo de delação premiada enquanto estava preso na sede da PF, em Curitiba. Nos depoimentos, ele explicou como funcionava o esquema de corrupção na Petrobras e citou nomes como o do ex-ministro José Dirceu, o do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e os de outros políticos. A delação rendeu a Youssef uma redução de pena: de 82 anos para três anos de prisão.

Pedro Franca/Associated Press
Delcídio do Amaral - senador pelo PT-MS

Delcídio é o primeiro político que aparece na lista de colaborações premiadas homologadas pelo STF. O acordo prevê 15 anos como o máximo de pena que ele pode cumprir e permite que ele exerça o mandato de senador. Na delação, ele acusou a presidente Dilma e José Eduardo Cardozo (então ministro da Justiça) de tentarem interferir em decisões da Lava Jato. Lula também foi citado. Todos negaram as acusações.

Alan Marques/Folhapress

Ricardo Pessoa - dono da empreiteira UTC 

O primeiro acordo de delação premiada após a divulgação da lista de inquéritos que serão julgados no STF foi com o dono da empreiteira UTC, Ricardo Pessoa. O executivo falou de doações às campanhas de Dilma Rousseff à Presidência em 2010 e em 2014 e de repasses a políticos como o senador Fernando Collor (PTB-AL). Pessoa fez a delação em maio de 2015. Ela foi homologada em junho do ano passado.

Reginaldo Teixeira/Veja

Fernando Baiano - operador financeiro 

Apontado como operador financeiro do PMDB dentro da Petrobras, Fernando Antonio Soares (conhecido como Fernando Baiano) fechou acordo com a Justiça paranaense em setembro de 2015. Em seus depoimentos, o lobista citou os nomes de Delcídio do Amaral e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Condenado a 16 anos, Baiano foi para o regime semiaberto após a delação, que foi homologada em novembro de 2015.

Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

Alexandre Romano - ex-vereador 

O ex-vereador do PT Alexandre Romano, conhecido como Chambinho, ligou Luis Gushiken (morto em 2013), ex-ministro de Comunicação do governo Lula, ao advogado Guilherme Gonçalves, jurídico na área eleitoral da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), dizendo que ele teria recebido 9% de propina da empresa Consist Software, no contrato de empréstimos consignados do Ministério do Planejamento. A senadora diz que registrou o serviço em sua prestação de contas à Justiça Eleitoral e nega que tenha havido irregularidades.

Alan Marques/Folhapress

Ex-diretores da Petrobras

Já fizeram delações premiadas Pedro Barusco (ex-gerente-executivo de Serviços e Engenharia), Hamylton Pinheiro Padilha Júnior (executivo que atuou pontualmente como operador da Área Internacional), Eduardo Costa Vaz Musa (ex-gerente da Área Internacional) e Nestor Cerveró (ex-diretor da Área Internacional, na foto), além de Agosthilde Monaco de Carvalho (assistente de Cerveró).

Danilo Verpa/Folhapress

Carlos Alexandre Rocha (Ceará) - trabalhava para Youssef 

Em junho de 2015, Carlos Alexandre Rocha (conhecido como Ceará) fechou um acordo de colaboração premiada com a Justiça no Paraná. Nos depoimentos, ele citou o nome de Aécio Neves (PSDB-MG). À época, Ceará disse que um diretor da UTC teria mandado R$ 300 mil ao senador. Em dezembro, a delação foi homologada. Mas, por falta de provas, o ministro do STF Teori Zavascki mandou arquivar o processo contra Aécio em fevereiro deste ano.


Geraldo Bubniak/AGB/Estadão Conteúdo

Nomes ligados a empreiteiras

Empresários também já fizeram delações. Entre eles, estão Júlio Gerin de Almeida Camargo e Augusto Ribeiro de Mendonça Neto, ambos da Toyo Setal; Shinko Nakandakari, da Galvão Engenharia, além de seus filhos Luis Fernando e Juliana Sendai Nakandakari; Eduardo Hermelino Leite e Dalton dos Santos Avancini, ambos da Camargo Corrêa; Milton Pascowitch (foto) e José Adolfo Pascowitch, da Engevix; Victor Sergio Colavitti, da Link; João Carlos de Medeiros Ferraz, da Sete Brasil, Ricardo Pernambuco e seu filho Ricardo Pernambuco Junior, da Carioca; João Antônio Bernardi Filho, da Hayley; Salim Taufic Schahin, da empresa Schahin; e Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, da Oildrive.

Pedro Ladeira/Folhapress

Nomes ligados a Alberto Youssef

Outros que fizeram acordo foram Luccas Pace Júnior (na foto à dir.), operador de câmbio de Nelma Kodama, doleira ligada a Youssef); Rafael Ângulo Lopez, funcionário de Youssef; João Procópio Junqueira Pacheco de Almeida Prado, operador de contas de Youssef no exterior, e Maria Cristina Mazzei de Almeida Prado, mulher de Procópio.

Evaristo Sá/AFP

Família de Paulo Roberto Costa

Também já fizeram delações as filhas de Costa, Shanni e Arianna Azevedo Costa Bachmann, a mulher, Marici, e os genros Márcio Lewkowicz e Humberto Sampaio de Mesquita.

Zia Mazhar/AP

Operadores financeiros

Também se tornaram delatores Rodrigo Morales, Roberto Trombeta, Mário Frederico de Mendonça Góes e Fernando Antonio Guimarães Hourneaux de Moura.

Fonte: UOL

Após protestos, governo apresenta ao Senado pacote contra corrupção

18/03/2015

Após protestos, governo apresenta ao Senado pacote contra corrupção
Governo quer criminalizar o caixa dois e punir com mais rigor os
agentes públicos que enriquecem de forma ilícita, leiloando bens.

O governo federal apresentou ao presidente do Senado um pacote de medidas anticorrupção. Além deste projeto, o Congresso discute a reforma política e as propostas de ajuste econômico.

O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, amanheceu no Senado para explicar o ajuste fiscal. Reconheceu que há a necessidade de correções na política econômica. E disse que o ajuste é o primeiro passo para o Brasil voltar a crescer.
“Essas ações apesar de terem impactos restritivos no curto prazo, elas são necessárias e são o primeiro passo para a recuperação do crescimento da economia”, disse o ministro do Planejamento.

Na ofensiva do governo para aprovar o ajuste, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também entrou no circuito. Jantou, na segunda-feira (16), com a bancada do PT na Câmara.

Nesta terça-feira (17), o vice-presidente Michel Temer, do PMDB, abriu o Palácio do Jaburu, onde mora, para que cinco ministros conversassem com os líderes dos partidos que apoiam o governo na Câmara. Os ministros defenderam o ajuste fiscal e o pacote anticorrupção.

No Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff discutiu as novas leis de combate à corrupção com o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil.

O pacote do governo foi entregue nesta terça-feira ao presidente do Senado, Renan Calheiros, e será anunciado nesta quarta (18) pela presidente Dilma. O governo quer criminalizar o caixa dois e punir com mais rigor os agentes públicos que enriquecem de forma ilícita, leiloando os bens comprados com o dinheiro da corrupção. O pacote quer, ainda, proibir o financiamento de empresas para as campanhas eleitorais e limitar o financiamento de pessoas físicas.

“Acho que nesse momento é muito importante que nós façamos esse diálogo com as forças políticas do Congresso Nacional, sejam elas governistas, sejam elas oposicionistas, com as forças vivas da sociedade. Esse diálogo ele é muito importante”, disse o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Outro tema levantado em resposta às manifestações, a reforma política foi assunto no Congresso. O PMDB mostrou que, mais uma vez, vai jogar a força do partido em uma reforma política própria, que diverge num ponto fundamental do que quer o Palácio do Planalto. O PMDB não aceita o financiamento público de campanha, como defende o PT.

A oposição se reuniu à tarde, mas não quis discutir a reforma política. PSDB, PPS, PSB e Democratas disseram que não há diálogo com o governo.

“É essencial que as oposições continuem reunidas, como nós fizemos hoje, ao longo de todas as próximas semanas, para estarmos avaliando o quadro, avaliando não apenas manifestações, mas avaliando a gravíssima crise na qual está mergulhado o país”, disse Aécio Neves.

O presidente do Senado, Renan Calheiros, culpou o governo e o PT pela demora na aprovação de uma ampla reforma política.

“Fizemos uma ampla, uma profunda reforma há 12 anos, que tramitou rapidamente no Senado e teve muita dificuldade para tramitar na Câmara dos Deputados, mas faltou, sobretudo, nesses momentos, o protagonismo do governo e o protagonismo do PT”, afirmou Renan Calheiros.

O vice-presidente Michel Temer disse que a palavra final será do Congresso.

“Porque o Congresso Nacional é o senhor absoluto desta matéria, ou seja, a reforma política no nosso país vai surgir exatamente em função da atividade do Congresso Nacional”, disse Michel Temer.



OAB apresenta a Dilma propostas de combate à corrupção

Furtado: "Brasil vive crise ética e precisa usar este momento para fazer mudanças"
RAFAB/GABINETE DIGITAL/PR

18/03/2015

Entidade propõe fim do financiamento empresarial a candidatos e partidos políticos e a criminalização do caixa 2 de campanha eleitoral

por Yara Aquino e Paulo Victor Chagas, da Agência Brasil 

Brasília – O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apresentou hoje (17) à presidenta Dilma Rousseff propostas do plano de combate à corrupção elaborado pela entidade. Entre os itens estão o fim do financiamento empresarial a candidatos e partidos políticos e a criminalização do caixa 2 de campanha eleitoral. As propostas foram apresentadas pela OAB no momento em que o governo se prepara para enviar ao Congresso Nacional um pacote de medidas de combate à corrupção.

O presidente da OAB, Marcus Vinícius Furtado, disse que o Brasil vive uma crise ética e que é preciso usar este momento como uma oportunidade para fazer mudanças. “A população exige que sejam adotadas providências concretas, reais e efetivas, para mudar a estrutura do Estado brasileiro, que viabiliza esse tipo de conduta, essa corrupção impregnada em todos os entes da Federação e que deve ser combatida de forma sistêmica.”

Segundo Furtado, Dilma demonstrou receptividade a algumas das medidas. No entanto, ele evitou detalhar quais propostas da OAB tiveram a simpatia da presidenta e se ela se comprometeu a incluir as sugestões da entidade no pacote do governo. As propostas da OAB serão apresentadas também a líderes de partidos.

Outras medidas do Plano de Combate à Corrupção da OAB são o cumprimento da ordem cronológica no pagamento das contas públicas; a redução dos cargos de livre nomeação no serviço público, com prioridade para servidores de carreira e concursados; e a instituição da existência de sinais exteriores de riqueza incompatíveis com a renda e o patrimônio como critério para perda de cargo público e bloqueio de bens.

Sobre o fim do financiamento empresarial para candidatos e partidos, Marcus Vinícius Furtado destacou que é preciso ter limites para gastos eleitorais. “Campanhas milionárias não contribuem para o aperfeiçoamento da democracia. Temos que diminuir custos de campanha no Brasil, pensar em sistema eleitoral que não gere milhares de candidatos, milhões de despesas, que serão depois fruto de uma devolução por desvio de condutas impróprias”, disse.


Joaquim Barbosa condena por corrupção os seis réus do PL e do PTB

Relator do mensalão, ministro Joaquim Barbosa condenou por corrupção passiva os seis réus do PL e do PTB 

19/09/2012 

Deputado Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson são os principais acusados

Jornal do Brasil
Luiz Orlando Carneiro, Brasília 


No 25º dia do julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal, da ação penal do mensalão, nesta quarta-feira, o ministro-relator Joaquim Barbosa votou também pela condenação — por corrupção passiva — dos seis réus do chamado núcleo político que integravam o Partido Libertador (PL), atual Partido Republicano (PR), e o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). São eles: o atual deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP); os ex-deputados Roberto Jefferson (PTB-RJ), Romeu Queiroz (PTB-MG) e Bispo Rodrigues (PL-RJ); Jacinto Lamas, tesoureiro do PL até fevereiro de 2005, e acusado de ser o intermediário dos repasses superiores a R$ 8 milhões, provenientes do grupo empresarial de Marcos Valério; Emerson Palmieri, “tesoureiro informal” do PTB à época dos fatos, e que intermediou o recebimento de mais de 5,6 milhões pelos dirigentes do partido.

O ministro Joaquim Barbosa enquadrou ainda Valdemar Costa Neto e Jacinto Lamas nos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, por ter ficado caracterizada “uma associação estável e permanente voltada aos propósitos comuns de lavar valores sempre que os réus deles precisassem”. O Bispo Rodrigues não foi acusado de quadrilha.

No caso dos réus do PTB, o relator deixou para esta quinta-feira a parte do voto referente às acusações de lavagem de dinheiro que pesam sobre Jefferson, Queiroz e Palmieri. estes três não respondem por formação de quadrilha. Na última segunda-feira, Joaquim Barbosa já tinha condenado, por corrupção passiva, os integrantes do Partido Progressista (PP), igualmente acusados de recepção de dinheiro do esquema ilegal montado pelo PT para garantir a aprovação de matérias importantes de interesse do Governo Lula no período 2003-2004: o atual deputado federal Pedro Henry (MT); o ex-deputado e ex-presidente do PP Pedro Corrêa (PE); e João Claúdio Genú, que foi assessor do falecido deputado federal José Janene (PR). O relator também condenou, por lavagem de dinheiro e quadrilha, os réus Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg, da corretora Bônus Banval, que atuaram como intermediários, a partir de janeiro de 2004, para “ocultar” R$ 1, 2 milhão, dos R$ 4,1 milhões recebidos pelo PP do esquema do mensalão.

PL-PR

Na sustentação oral proferida no início do julgamento da ação penal, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmara que a entrega de valores ao Partido de Liberal (PL) foi feita ao então deputado Valdemar Costa Neto, que se valeu da intermediação de Jacinto Lamas para o recebimento do dinheiro obtido e repassado pelos então dirigentes do PT de maneira ilegal. Conforme as provas dos autos, Valdemar Costa Neto recebeu, nos anos de 2003 e 2004, pelo menos R$ 8.885.742,00 para votar a favor de matérias de interesse do governo federal. Em depoimento, Valério calculou que o montante recebido por Costa Neto foi superior a R$ 10 milhões.

O ministro Joaquim Barbosa leu, no seu voto, uma série de depoimentos constantes do processo, e considerou “materializada” a prática do crime de corrupção passiva por Valdemar Costa Neto, em concurso com Jacinto Lamas. Ele narrou que, “com a colaboração criminosa de Lamas, que aparece em todas as etapas”, Costa Neto valeu-se de dois sistemas distintos para receber e ocultar as vantagens ilícitas. O primeiro foi a utilização da empresa Guaranhuns Empreendimento, especializada em lavagem de dinheiro, indicada pelo deputado-réu a Marcos Valério para figurar nos repasses.

O segundo sistema de que se valeu Valdemar Costa Neto foi a utilização do esquema de lavagem de dinheiro disponibilizado pelo Banco Rural, tendo como intermediário Jacinto Lamas. Recibos informais apreendidos no curso da execução dos mandados de busca e apreensão no Banco Rural comprovaram que Jacinto Lamas recebeu, em nome de Valdemar Costa Neto, R$ 1 milhão, (em espécie, em parcelas quase sempre de R$ 100 mil).

No seu voto, Barbosa referiu-se ao argumento da defesa dos réus de que o PL, por ser o partido do ex-vice-presidente José Alencar, não precisava receber dinheiro para apoiar o PT. No entanto, ressaltou que, na verdade, não houve aliança do PT-PL nos estados nem quando das eleições de gerais de 2002, nem no pleito municipal de 2004. Assim, segundo ele, ficou provado que o dinheiro movimentado e ocultado, não se destinava a campanhas eleitorais, mas para corromper parlamentares.

O ministro-relator também votou pela condenação por corrupção passiva do ex-deputado federal Bispo Rodrigues que, de acordo com as provas colhidas, recebeu dinheiro do esquema comandado por José Dirceu, José Genoíno e Delúbio Soares, em troca de votos no Congresso Nacional. Ele citou listas de votações importantes realizadas no período em causa e, mais de uma vez, deu ênfase a depoimento do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) — o principal denunciante do esquema do mensalão — ainda durante os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios (2005-2006).

Finalmente, Barbosa enquadrou os réus do bloco do PL por crime de quadrilha, por ter ficado caracterizada “uma associação estável e permanente voltada aos propósitos comuns de lavar valores sempre que os réus deles precisassem”. Neste subitem, o relator absolveu, apenas, o irmão de Jacinto, Antonio Lamas, já que o réu fez um único recolhimento de dinheiro, e não há provas de que ele sabia do esquema. O próprio procurador-geral tinha pedido a sua absolvição.

Jefferson e PTB

Em seguida, o ministro Barbosa passou a votar o núcleo relativo ao PTB, no qual os réus são o ex-deputado federal Roberto Jefferson — que assumiu a presidência do partido, depois da morte de José Carlos Martinez, em outubro de 2003; o ex-deputado Romeu Queiroz (PTB-MG); e Emerson Palmieri, que era “tesoureiro informal” do partido.

De acordo com a denúncia do procurador-geral da República, a prova colhida no curso da instrução comprovou que Martinez, Jefferson e Queiroz receberam as seguintes quantias, respectivamente: R$ 1.050.000; R$ 4.545.000; e R$ 102.812,76.

No seu voto, Joaquim Barbosa destacou que, embora o PTB tenha apoiado, em 2002, o candidato Ciro Gomes na eleição para a Presidência da República, o presidente do partido foi um dos primeiros beneficiados com pagamentos em espécie do esquema do mensalão. E que Roberto Jefferson, em depoimento ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, afirmou que os repasses de dinheiro a Martinez “constituíram mesada do PT, a qual vinha sendo distribuída a parlamentares para que apoiassem o governo”.

O relator leu então peças dos autos, numa das quais Jefferson afirmou ter conhecimento da sistemática da corrupção, nestes termos: “Eu procurei ser leal ao presidente Lula, mas quando o Martinez me mostrou, (sic) eu soube da existência desses repasses. E soube que Martinez havia recebido repasse de Delúbio e do PT de um milhão  . Aí eu disse a ele: a mesada desmoraliza e escraviza”.

Segundo Barbosa, coube a Romeu Queiroz, então deputado federal, implementar os contatos necessários para viabilizar a retomada dos pagamentos, o que foi feito com a intermediação do então Ministro dos Transportes Anderson Adauto. De acordo com as provas obtidas, em dezembro de 2003 foi reiniciada a entrega do dinheiro.

Queiroz, conforme os autos, além do auxílio que prestou a José Carlos Martinez e a Roberto Jefferson, recebeu, em proveito próprio, no dia 31 de agosto de 2004, a quantia de R$ 102.812,76. O valor foi recebido por intermédio de Paulo Leite Nunes, valendo-se o acusado do sistema de lavagem de dinheiro viabilizado pelo Banco Rural.

Mas, devido ao adiantado da hora, Barbosa deixou para a sessão desta quinta-feira a leitura do final do seu voto, referente a este item (lavagem de dinheiro).  

Grupo de Cachoeira pagou R$ 600 mil à firma de tesoureiro de Perillo

12/06/2012

No ano passado, o grupo comandado pelo contraventor Carlinhos Cachoeira repassou R$ 600 mil a uma empresa de Jayme Rincón, tesoureiro da campanha do governador Marconi Perillo (PSDB) em 2010 e presidente da Agência Goiana de Transportes e Obras Públicas (Agetop). Os pagamentos à Rental Frota Distribuição e Logística foram divididos em três parcelas de R$ 200 mil e depositados em 29 de julho, 1º e 2 de agosto. As informações foram publicadas no jornal O Estado de S. Paulo.

Rincón, que detém 33 de suas cotas, embora esteja formalmente afastado da empresa desde janeiro de 2011, diz desconhecer o repasse. A Rental confirma os pagamentos, mas informa que se referiam à venda de 28 veículos usados, no valor de R$ 600 mil, ao braço direito de Cachoeira, o ex-vereador tucano Wladimir Garcez. A empresa nega que o valor tenha sido repassado diretamente a Rincón. Nesta terça-feira, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista do Cachoeira ouvirá o governador Marconi Perillo, cujo nome aparece em várias escutas telefônicas da Operação Monte Carlo da Polícia Federal, que investiga os negócios do contraventor e suas ligações com agentes públicos.

Carlinhos Cachoeira 

Acusado de comandar a exploração do jogo ilegal em Goiás, Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, em 29 de fevereiro de 2012, oito anos após a divulgação de um vídeo em que Waldomiro Diniz, assessor do então ministro da Casa Civil, José Dirceu, lhe pedia propina. O escândalo culminou na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bingos e na revelação do suposto esquema de pagamento de parlamentares que ficou conhecido como mensalão.

Escutas telefônicas realizadas durante a investigação da PF apontaram contatos entre Cachoeira e o senador democrata Demóstenes Torres (GO). Ele reagiu dizendo que a violação do seu sigilo telefônico não havia obedecido a critérios legais.

Nos dias seguintes, reportagens dos jornais Folha de S.Paulo e O Globo afirmaram, respectivamente, que o grupo de Cachoeira forneceu telefones antigrampos para políticos, entre eles Demóstenes, e que o senador pediu ao empresário que lhe emprestasse R$ 3 mil em despesas com táxi-aéreo. Na conversa, o democrata ainda vazou informações sobre reuniões reservadas que manteve com representantes dos três Poderes.

Pressionado, Demóstenes pediu afastamento da liderança do DEM no Senado em 27 de março. No dia seguinte, o Psol representou contra o parlamentar no Conselho de Ética e, um dia depois, em 29 de março, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski autorizou a quebra de seu sigilo bancário.

O presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN), anunciou em 2 de abril que o partido havia decidido abrir um processo que poderia resultar na expulsão de Demóstenes, que, no dia seguinte, pediu a desfiliação da legenda, encerrando a investigação interna. Mas as denúncias só aumentaram e começaram a atingir outros políticos, agentes públicos e empresas.

Jornal do Brasil


Seminário aponta limites e problemas do combate à corrupção no país

09/11/2011

Seminário aponta limites e problemas do combate à corrupção no paísEm seminário realizado em Porto Alegre, ministro Jorge Hage Sobrinho, da Controladoria Geral da União, apontou finaciamento privado das eleições como uma fonte da corrupção e criticou normas processuais brasileiras que permitem “possibilidades infinitas de embargos e agravos”, o que impede prisão de pessoas com maior poder aquisitivo. Governador Tarso Genro e ex-procurador da República, Antonio Fernando Barros e Silva de Souza, criticaram “garantismo exacerbado” da Justiça. 

Maria Inês Nassif 

O Brasil avançou no controle da corrupção do poder público, mas existem causas mais profundas que interferem nesse trabalho. Segundo avaliação do ministro Jorge Hage Sobrinho, da Controladoria Geral da União (CGU) no Seminário Internacional sobre Enfrentamento à Corrupção, o financiamento privado das eleições e partidos é uma fonte de corrupção política. Seria também fundamental e urgente a reforma das leis processuais, que praticamente impedem a prisão de pessoas com maior poder aquisitivo. Leia Mais.